Publicado por: claudio | março 27, 2012

Puzzle #1 – O pacote maior de biscoitos é mais caro do que o mais barato. Então a lei de demanda não funciona?

De quando em vez, algumas perguntas engraçadas me ocorrem. Como eu havia dito, o primeiro comentário que aparecer por aqui resolvendo o puzzle, ganha algo. No caso da questão que proponho a seguir, a melhor resposta ganha um ponto.

Esta resposta (em forma de comentário), deve ser enviada para publicação até às 24:00 h de hoje (27/03/2012). Se o autor do comentário usou algum material encontrado na internet, deve apresentar o link explicitamente na resposta. Muito bem, você que é meu aluno em qualquer das matérias que leciono neste semestre está apto ao concurso-relâmpago.

Eis o problema: não é incomum ver, em supermercados, itens como pacotes de batata frita (ou outros similares) que são vendidos de forma que o pacote maior é mais caro do que o pacote menor. Parece violar a lei de demanda, certo? Explique.

Note: o ponto disputado está além do oficialmente estabelecido. O critério de avaliação levará em conta a qualidade do argumento. Ah sim, se não houver nenhuma resposta satisfatória, nada de pontos. Não haverá nivelamento “por baixo”. Obviamente, a interpretação da pergunta é problema seu (faz parte da avaliação).

Vejamos se alguém consegue resolver este.

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Responses

  1. Vamos lá. Conforme foi dito pelo sr., a situação “parece” violar a lei da demanda, mas não a viola. De fato, o pacote inteiro pode ser mais caro, mas o custo unitário (por grama) nos ajuda a ver que a lei se aplica. Por exemplo, façamos as contas usando os dados deste site:

    http://www.zonasulatende.com.br/Produto/Salgadinho_Elma_Chips_Fandangos_Presunto_Pacote__66_g_–40669

    ————————————————————

    Preço do pacote de 200g: R$ 7,29 —-> Preço Unitário: 7,29/200 = R$ 0,03465

    Preço do pacote de 55g: R$ 2,79 —-> Preço Unitário: 2,79/55 = R$ 0,05073

    ————————————————————

    Podemos dizer até que a promoção do pacote de 110g corrobora esse ponto de vista, pois seu preço unitário que seria R$ 0,03809 está, por tempo limitado, R$ 0,029, o que ,é de fato, uma promoção.

    Portanto vemos que a lei se faz valer nessa situação, pois, em ordem decrescente de quantidade: 0,03465 < 0,03809 <0,05073. Ou seja, quanto maior a quantidade, menor o preço.

    E é claro, para não dizerem que minha amostra é viesada, aí vão outros sites que fornecem dados de forma que as contas podem ser feitas da mesma forma e será verificado que a lei vale:

    http://www.angeloni.com.br/super/busca?q=fandangos

    http://www.foxintranet.com.br/loja/produtos/0/3/Biscoitos-e-Aperitivos/83/Salgadinhos

    É isso, espero que esteja certo.

    Abraços
    Lucas Farias

  2. Assumindo como hipótese que ambos os pacotes de batata frita são produzidos com a mesma tecnologia, em um ambiente de concorrência perfeita e mercados completos – onde o produtor tomaria o preço como dado, sinalização seria inútil e irracional, onde não existem economias de escala para o produto em questão, e onde o comportamento do supermercado é maximizador e racional (proibindo promoções espontâneas sem justificativa), podemos afirmar que o fato do pacote de batatas-fritas maior ser mais barato do que o pacote menor não viola a lei de demanda.

    Partimos da seguinte definição de Lei de Demanda, tradução direta da proposta por Varian (2002):

    “Se a demanda por um bem aumenta quando a renda aumenta, então a demanda por esse bem deve diminuir se o preço do bem aumentar.”

    Em outras palavras, se um bem é Normal, ele deve ser um bem Comum.

    Como no problema proposto não há informação sobre o que ocorre com a demanda por batata-frita em relação à mudanças na renda do indivíduo – sendo que a única informação disponível é que um decréscimo no preço leva a um aumento de quantidade – a conclusão lógica seria definir que a batata-frita é um bem de Giffen (e, portanto, se houvesse informações sobre mudanças na demanda em relação à renda, esperaríamos que o indivíduo consumiria menos batata-frita ao passo que sua renda cresce, pois todo bem de Giffen é Inferior).

    A batata é o exemplo canônico do bem de Giffen, apesar de Rosen (1999) ter demonstrado que a batata não é exatamente um bem de Giffen.

    Referências Bibliográficas:

    ROSEN, Sherwin (1999). “Potato Paradoxes”. Journal of Political Economy 107 (6): 294–313. JSTOR 2990755.

    VARIAN, Hal. Intermediate Microeconomics: A Modern Approach, 6th
    edition, W.W. Norton 2002

  3. Um pacote maior de batata mais caro que o pacote menor.
    maior quantidade> maior preço (Lei da oferta)
    Conforme descrito por Varian(2006) a definição da lei de demanda é:
    “Se a demanda por um bem aumenta quando a renda aumenta, então a demanda por esse bem deve diminuir se o preço do bem aumentar.”

    Ou seja, quanto maior o preço, menor a propensão a consumir( menor quantidade).
    Viola a lei da demanda considerando a mesma, por quantidades de batatas fritas, ocorre que como o consumidor não possui o poder de consumir a quantidade exata de gramas, se suas preferencias estão entre o máximo(gramas) do pacote menor e o mínimo(gramas) do pacote maior, para maximizar sua utilidade ele comprará o pacote maior com preço mais elevado. Caso ele prefira consumir uma quantidade até o máximo do pacote pequeno , comprará o pequeno, caso queira consumir uma quantidade maior do que o máx do pacote grande comprará um número de pacotes( pequenos, grandes, mixados ou não) que maximizam sua utilidade onde
    ele consuma a um menor preço.
    Portanto viola a lei de demanda.

    Referência Bibliográfica:

    VARIAN, Hal. Microeconomia: Princípios Básicos, 7th edição, Elsevier 2006.

    PS: Desde já peço desculpas por quaisquer erros ortográficos.

    • Pena que perdeu o prazo, Jean. Era ontem.

      p.s. erros ortográficos e afins fazem parte da resposta. Não deixe que os mesmos estraguem tudo!!!!

  4. kkkk, fiquei na maior fissura aqui pra resolver o problema e depois que eu postei eu vi que era “pra ontem” (literalmente).
    Engraçado que eu te cobrei o puzzle e ontem “por acaso” eu cheguei em casa do trabalho e fui dormir.rs
    Já que não vale ponto mais, qual seria o seu raciocínio a respeito do tópico?

    • Realmente, erros ortográficos destroem qualquer argumento.
      Que tanto de “eu” no comentário acima. rs

  5. Eu acho que o Lucas levou. Gostei de todas as contribuições, mas acho difícil acreditar que Ruffles é um bem de Giffen e, bom, o Jean vacilou no timing.

    Viram que tem outro puzzle?

  6. Ok pessoal, agora com este dia livre, tenho tempo para falar um pouco do que eu acho. Primeiro, do lado da oferta, alguém poderia dizer que custos unitários de guardar pacotes maiores fossem maiores para os fabricantes, o que estimularia o preço maior do pacote maior.

    Por outro lado, pode-se pensar nos mesmos custos do lado do consumidor (é mais barato para ele armazenar pacotes maiores em casa?). Também há os famosos custos de busca (time search costs), desejo de (não) comparar preços, etc. Uma referência que encontrei é a de Agrawal, J.; Grimm, P.E. & Narasimban Srinivasan (1993), “Quantity Surcharges on Groceries”, no The Journal of Consumer Affairs, vol.27, n.2. Não consegui o artigo original, mas este outro artigo (http://ageconsearch.umn.edu/bitstream/21512/1/sp99bi01.pdf) tem mais argumentos que poderiam nos ajudar a pensar no “puzzle”. O que acham?

    • Realmente a solução baseada na teoria da Economia Informacional (é esse o termo adequado?) apresentada por Binkley e Bejnarowicz no artigo é bem elucidante. Quando o problema apresentado pelo post se verifica ainda que nas quantidades unitárias, uma boa explicação para aparente “indiferença” do consumidor está no custo em que ele terá que incorrer para coletar informações de preços o suficiente para evitar ter que pagar mais… é como o Sr. disse na última aula, na maximização da utilidade não se deve esquecer o custo envolvido; se “maximizar” a utilidade consumindo pelo menor preço só for possível incorrendo em um custo acima do benefício gerado, não faz sentido o fazer.


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