Publicado por: helenadbc | julho 13, 2009

Futebol e a economia

” O salário líquido de Kaká com o uniforme branco do clube merengue será de 9 milhões de euros por ano, pouco mais de 24 milhões de reais.”

Em muitos países latino americanos, europeus, árabes e africanos, ao perguntar para um menino a típica pergunta: “O que você quer ser quando crescer?” – a resposta majoritária será sem dúvida (e sem demora): “Jogador de futebol”.

A razão disso é que no imaginário popular e infantil astros de futebol têm a vida perfeita para um homem: fama mundial, muita mulher bonita, viagens pelo mundo, tratamento V.I.P. e, é claro, salários  estratoféricos. Isso tudo “apenas” jogando (bem) bola.

Para algumas pessoas esses salários são um absurdo, sobre a alegação de que nossos valores sociais são distorcidos, já que médicos, professores e enfermeiros muitas vezes não ganharão na vida profissional o que o Kaká ganha por mês. Falta teoria econômica para tais pessoas.

A diferença de salário do Kaká com um professor não é explicada pelo modo em que a sociedade valoriza cada contribuição social, e sim pela economia de escala de suas profissões. Isso acontece principalmente por causa da tecnologia no lado da oferta e no lado da demanda pela nossa disposição de amar mais os astros de futebol aos professores

Afinal, Kaká não trabalha ou cobra mais em uma partida com 30 milhões de espectadores do que uma com 1 milhão. Já os professores estão limitados ao número de alunos que cabem em uma sala de aula. A verdade é que o futebol (que pode ser estendido para esportes em geral) é um negócio de baixa margem de lucro mais com um alto volume.

Outro aspecto interessante de ponto de vista econômico é que no futebol os atletas ganham em relação a seu desempenho individual, ou seja, é fácil calcular a sua produtividade, pois, para os astros do futebol existem medidas objetivas da performance do jogador. Já em quase todas as outras indústrias os salários cobrem categorias de pessoas, sendo mais difícil calcular as produtividades individuais, que acabam sendo calculadas por elementos como escolaridade, experiência e cargo.

Como deve ser bom nascer com um talento assim, ganhar altos salários e culpar a economia por isso…

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Responses

  1. Concordo que a “supervalorização” dos jogadores de futebol é devida a aspectos da economia de escala de suas profissões. Mas, para mim, esta economia de escala só existe de tal maneira uma vez que o futebol é o esporte mais popular do mundo e gera milhões de empregos diretos e indiretos.
    Devido ao amplo grupo de agentes econômicos de interesse ligados a este esporte, formou-se um grande mercado que por sua vez é, em boa parte, dependente da preferência dos consumidores por este esporte. Para que isto aconteça são necessários jogadores extremamente talentosos, os astros da bola. Como se não bastasse, há ainda a necessidade de despertar a percepção e interesse das pessoas (em âmbito mundial) em relação a este entretenimento a fim de aumentar a demanda por produtos ligados ao futebol. Para que isto ocorra são necessárias estratégias de mercado que gerem esta “disposição de amar os astros do futebol” de modo que de fato estes virem formadores de opinião e de alguma forma incentivem as pessoas a consumir. Um exemplo é a vinda do Ronaldo (Fenômeno) para o Corinthians. Muitos sabiam que ele não estava em condições físicas adequadas para jogar e que demoraria muito tempo para se recuperar totalmente. Mas sua contratação não foi analisada apenas pelo ponto de vista de sua atuação nos jogos, mas também de sua importância na mente dos torcedores. Vá me dizer que a venda de ingressos para o jogo, camisas e muitos outros produtos ligados ao time não aumentaram com este novo jogador? E as vendas de produtos indiretamente ligados ao futebol como carne, cerveja, gasolina, dentre outros vários? Com certeza aumentaram. O jogador é o precursor que gera toda esta cadeia econômica e por isto é muito bem pago.
    Esta é, até o momento, para mim, a explicação destes salários altíssimos recebidos pelos protagonistas principais deste cenário. Mas sei que é um assunto ainda a se discutir e melhorar o raciocínio. Uma pergunta que venho fazendo-me a algum tempo, mas tenho achado difícil uma resposta concreta é de como estes salários e transações comerciais de jogadores podem chegar a montantes tão altos enquanto milhões de pessoas ao redor do mundo vivem abaixo da linha de pobreza definida pelo Banco Mundial? Será que não poderia haver um meio na qual pudéssemos distribuir melhor estes recursos? Talvez uma forma de incentivar os investidores a direcionarem parte de suas verbas destinadas a jogadores a outros mercados de forma a gerar ainda mais empregos.

  2. A economia de escala gerada pelo futebol pode sim ser estendida a diversos outros esportes. O futebol, ou soccer para os estrangeiros, não é o único esporte que possue grande número de espectadores ou fãs. O super Bowl, a final do campeonato americano de Football (futebol americano) é assitida por centenas de milhões de telespectadores e possui, assim como o soccer, diversos agentes econômicos que necessitem e se beneficiam desse espetáculo.

    Concordo que os jogadores de qualquer esporte, por serem os astros do show e os grandes responsáveis pelos espetáculos que as massas tanto adoram, recebam altos salários por isso. Entretanto não se pode negar que a economia de escala dos esportes em geral seja uma grande responsável pelos altíssimos salários. Afinal, se os estádios tivessem capacidade de 500 pessoas e não houvessem transmissão pela TV, dificialmente eles teriam o mesmo salário que possuem hoje!
    Isso pode ser visto nas diferenças de remuneração em outras áreas. Tomemos como exemplo o teatro e o cinema. Os salários dos atores de hollywood são muito superiores a atores de teatros, no geral. Isso se deve pela economia de escala do cinema ser maior que a do teatro.Enquanto os filmes podem ser vistos em milhares de cinemas ao redor do mundo ao mesmo tempo durantes meses, um número limitado de pessoas cabe em um teatro para ver uma peça, que deve ser repetida por completo a cada novo espetáculo.

    Concordo que as preferências do consumidor são extremamente importantes para a remuneração, afinal atores de filmes considerados ruims e de baixa bilheteria podem ganhar menos do que um bom ator que esteja interpretando uma peça com público recorde. Entretanto a economia de escala em cada mercado é sim um dos grandes responsáveis pela remuneração dos trabalhadores, afinal é possivel aumentar a receita tendo um custo marginal relativamente baixo.

    Realmente é uma vergonha para o mundo, ter milhões de pessoas sobrevivendo com menos de 1dollar ao dia, enquanto esses jogadores recebem altissimos salários e investidores gastam milhões nas transações comerciais entre clubes. Concordo que parte dessas grandes somas de dinheiros deveriam sim ser redistribuídas a outros mercados, talvez uma forma seja taxar transações comerciais vultosas e utilizar o dinheiro em outros mercados carentes. Agora dificilmente será possível diminuir os salários dos astros de futebol, afinal a prefencia do consumidor é também um fator importante na sua composição, e as mesmas pessoas que muitas vezes necessitam de mais oportunidades e recursos serão os primeiros a lotar os estádios…


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